Uma definição possível..

“A Agricultura Biológica é um sistema de produção holística que promove e melhora a saúde do ecossistema agrícola ao fomentar a biodiversidade, os ciclos biológicos e a atividade biológica do solo. Privilegia o uso de boas práticas de gestão da exploração agrícola, em detrimento do recurso a fatores de produção extremos, tendo em conta que os sistemas de produção devem ser adaptados às condições regionais. Isto é conseguido, sempre que possível, através do uso de métodos culturais, biológicos e mecânicos, em detrimento da utilização de materiais sintéticos” (FAO/WHO, 1999)

Origem e desenvolvimento da Agricultura Biológica e a sua normalização

A Agricultura Biológica agrega a evolução de vários métodos e técnicas alternativas de produção agrícola desenvolvidos em países do norte da Europa e Ásia, assim como algumas correntes de pensamento concebidas por vários autores no início do século XX (Ormond et al., 2002; EU, 2000). É importante mencionar algumas reflexões:

– A Agricultura Biodinâmica, implementada na Alemanha em 1924 por Rudolf Steiner, tem como princípio a harmonia e o equilíbrio do sistema produtivo (terra, plantas, animais e homem) utilizando as influências do sol e da lua. Segundo o autor, para existir uma ligação entre as formas de matéria e de energia presentes no ambiente natural, devem ser utilizados os elementos orgânicos produzidos numa propriedade agrícola, já que esta é considerada um organismo indivisível.

– A Agricultura Orgânica, referida no livro de Sir Howard “Um testamento agrícola, (1940)”, descreve as práticas agrícolas de compostagem e adubação orgânica utilizadas pelos agricultores indianos no início da década de vinte.

– A Agricultura Biológica, desenvolvida na Suíça em meados do século XX por Hans Peter Rusch e Hans Muller, baseou-se em estudos de fertilidade do solo e no conhecimento dos seus ciclos biológicos.

Estes diferentes movimentos têm em comum a relação entre a agricultura e a natureza, bem como o respeito pelo equilíbrio natural, distanciando-se da abordagem mais produtivista, que procura maximizar os rendimentos através de múltiplas intervenções com diversos tipos de produtos de síntese. Apesar da existência e do vigor destas correntes de pensamento, práticas e técnicas, a agricultura biológica na Europa manteve-se embrionária durante muito tempo.

Desenvolvimento da Agricultura Biológica no mundo
Durante a década de cinquenta, no período pós-guerra, o principal objetivo da agricultura era satisfazer, através de um substancial aumento da produtividade agrícola, as necessidades imediatas da Europa relativamente à produção de alimentos, elevando assim o seu grau de auto-suficiência.

Na década de sessenta, o livro “The Silent Spring” da autoria de Raquel Carson, alertou sobre os problemas ambientais causados pelo excesso de pesticidas e adubos na agricultura, assim como a importância de uma consciencialização global, marcando assim o início da revolução ecológica nos Estados Unidos da América e Europa.

Perante esta situação e devido à crescente necessidade de proteção do ambiente, a Agricultura Biológica surgiu como um sistema de produção indicado a dar uma resposta adequada. Para o efeito, criaram-se associações que reúnem produtores, consumidores e cidadãos interessados na defesa ambiental e num estilo de vida mais saudável, aplicando nas suas atividades um conjunto de regras de produção que servem de base à prática da agricultura biológica.

Nos anos oitenta, a Agricultura Biológica adquiriu um verdadeiro impulso na maior parte dos países da Europa, nos Estados Unidos da América, Canadá, Austrália e Japão.

O reconhecimento internacional oficial e a regulamentação da Agricultura Biológica na União Europeia foi obtido através da (International Federation of Organic Agriculture Movements – IFOAM), permitindo assim que este sistema de produção surgisse no mercado de forma credível, ocupando um importante nicho com produtos de grande qualidade.

Este texto foi produzido com base em: Sampaio, I., Costa, C.A., Gaião, D. 2014. Agricultura biológica. ESAM/IPV, Viseu: 7 p